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《寄稿》樹を植え、本を読み、人を育てる=ロバト「国は、人間と本で作られる」=大浦文雄さんが遺した森と志 サンパウロ 毛利律子
2026.6.27ブラジル日報より
≪以下は、憩の園在日協力会ミニコミ誌『coração』(2020年12月)掲載の追悼文を加筆・改編≫
辺幅を微塵も飾らない気骨稜々とした堂々たる態度の中に、温かな人柄がにじむ方でした。これが、1992年、帰国中の大浦氏と麻布の宿舎で初めてお目にかかった時の第一印象です。
大浦氏は68歳、私は26歳でした。
きっかけは、毎日新聞に掲載された救済会の窮状を訴える記事でした。日本から約1万9千キロ離れた異国の地で、日本人としての誇りを胸に生き抜いてこられた方々も高齢となり、望郷の念を強く抱く人が少なくないことを知りました。
「私に多額の寄付はできませんが、学生時代から下手の横好きで続けている落語で、憩の園のお年寄りを訪ねさせてください。」
そう申し出ると、大浦氏は
「あなたが落語をやるのですか?」
と怪訝そうな表情を浮かべられました。初対面にもかかわらず、突然そのような申し出をする若者が現れたのですから、無理もないことでした。
しかし、しばらく言葉を交わすうちに、大浦氏はにっこりと微笑み、快く受け入れてくださいました。そして現地での案内や調整まで引き受けてくださることになりました。
こうして始まった大浦氏とのご縁は、その後も続きました。私はその後5年間で3度、拙い「素人落語」を携えてブラジルを訪れ、憩の園をはじめ多くの日系老人ホームで、お年寄りや職員の方々と交流する機会に恵まれました。

スザノ市イペランジャ(福博村)のご自宅に招かれ、奥様の手料理による心尽くしの和食をご馳走になったことも忘れ難い思い出です。温かなもてなしに触れたあの日の光景は、今も鮮明に心に残っています。

若輩だった私が大浦氏から学んだことは実に多く、その教えの数々は、その後の私の人生をより前向きな方向へ導いてくださいました。中でも、今なお心に刻まれている二つの言葉があります。
「人生の本舞台は常に将来に在り」
これは「憲政の神様」と称された尾崎行雄氏の言葉です。尾崎氏は94歳になった晩年も、震える筆でこの言葉をしたためたといいます。
大浦氏は、逗子の披露山公園を訪れた際、この言葉が刻まれた石碑に出会い、「自分もまだまだ頑張らねば」と強く心を動かされたそうです。その時には、すでに70歳を超えておられました。
揺るぎない信念を持ち、高い志を掲げて歩み続ける大浦氏の姿は、まさにこの言葉を体現していました。そして、この言葉は私自身の人生の目標ともなりました。
「目標は立てた時点で90%は達成できる。あとの10%は努力である。」
これは、ブラジルの高齢者福祉に尽力される中で大浦氏が語られた言葉です。
当時、社会人として歩み始めたばかりだった私に、大浦氏は、志を抱き明確な目標を持つことの大切さを、自らの生き方を通して教えてくださいました。
大浦氏は、ブラジル日系社会のために多大な功績を残されました。亡くなる直前まで、スザノ市日本人移住100周年事業に向け、移民史資料の収集・編纂に携わっていたと風の便りで聞いています。
利他の心を貫き、最期の時まで日系社会の発展のために力を尽くされたその生き様は、多くの人々へのかけがえのない遺産であると感じています。
大浦氏との別れは、今なお哀惜の念に堪えません。今年12月に七回忌を迎えます。
あらためて天国の大浦氏へ心からの感謝をお伝えするとともに、安らかなご永眠をお祈りしたいと思います。
在日協力会
八木田 一博
≪O texto a seguir é uma versão revisada e ampliada do obituário publicado na revista interna “coração” da Associação de Cooperação dos Residentes no Japão da Ikoino Sono (dezembro de 2020)≫
Foi uma pessoa cuja postura firme e digna, sem qualquer ostentação, deixava transparecer uma natureza calorosa. Essa foi a primeira impressão que tive ao conhecê-lo em 1992, quando o Sr. Oura estava de volta ao Japão e nos encontramos pela primeira vez em uma residência em Azabu.
O Sr. Oura tinha 68 anos, e eu, 26.
O encontro teve origem em um artigo publicado no jornal Mainichi, que relatava a situação difícil da instituição de assistência. Tomei conhecimento de que muitas pessoas que haviam vivido com orgulho como japoneses em um país estrangeiro a cerca de 19 mil quilômetros do Japão já se encontravam idosas e, não raro, carregavam um forte desejo de retornar à terra natal.
“Não posso fazer grandes doações, mas gostaria de visitar os idosos do Ikoino Sono apresentando rakugo, uma atividade que, desde a época de estudante, pratico por puro prazer, ainda que de forma amadora.”
Ao fazer essa proposta, o Sr. Oura me perguntou, com certa expressão de estranhamento:
“Você faz rakugo?”
Era compreensível sua reação, já que um jovem que acabara de conhecê-lo fazia um pedido tão inesperado.
No entanto, após algum tempo de conversa, o Sr. Oura sorriu gentilmente e aceitou minha proposta de bom grado. Além disso, passou a se encarregar também da mediação e da coordenação local.
Assim se iniciou minha relação com o Sr. Oura, que prosseguiu ao longo dos anos seguintes. Nos cinco anos seguintes, visitei o Brasil três vezes levando meu modesto “rakugo amador”, e tive a oportunidade de interagir com idosos e funcionários de diversas instituições nikkeis, incluindo o Ikoino Sono.
Guardo também com especial carinho a lembrança de ter sido convidado para sua residência em Iperanga (Fukuha-mura), na cidade de Suzano, onde fui recebido com uma refeição japonesa preparada com dedicação por sua esposa. A cena daquele acolhimento caloroso permanece até hoje vividamente em minha memória.
Muitas foram as lições que aprendi com o Sr. Oura quando ainda era jovem. Seus ensinamentos conduziram minha vida posteriormente para uma direção mais positiva. Entre eles, há duas frases que permanecem gravadas em meu coração até hoje.
“人生の本舞台は常に将来に在り”
“O verdadeiro palco da vida está sempre no futuro.”
Essa é uma frase de Yukio Ozaki, conhecido como o “deus da constituição parlamentar”. Diz-se que, mesmo aos 94 anos, em seus últimos anos de vida, ele a escreveu com a mão trêmula.
Durante uma visita ao Parque Hiraoyama, em Zushi, o Sr. Oura encontrou um monumento de pedra com essa inscrição e sentiu-se profundamente tocado, dizendo a si mesmo: “Ainda preciso me esforçar mais”. Naquela época, ele já tinha mais de 70 anos.
A postura do Sr. Oura, que seguia com convicção inabalável e elevados ideais, era a própria personificação dessas palavras. E elas também se tornaram um objetivo para minha própria vida.
“Quando se estabelece uma meta, 90% dela já está alcançada. Os outros 10% são esforço.”
Essa foi uma frase que o Sr. Oura proferiu no contexto de seu trabalho em prol do bem-estar dos idosos no Brasil.
Naquela época, eu estava apenas começando minha trajetória como profissional, e o Sr. Oura me ensinou, por meio de sua própria forma de viver, a importância de ter objetivos claros e de cultivar ideais firmes.
O Sr. Oura deixou grandes contribuições para a sociedade nikkei no Brasil. Ouvi dizer, por notícias indiretas, que ele esteve envolvido até pouco antes de sua morte na coleta e compilação de materiais históricos da imigração japonesa, em preparação para o centenário da imigração japonesa na cidade de Suzano.
Sua vida, marcada por um profundo altruísmo e dedicação contínua ao desenvolvimento da comunidade nikkei até seus últimos momentos, representa um legado inestimável para muitas pessoas.
Sua partida ainda hoje me causa profunda saudade. Em dezembro deste ano, completam-se sete anos de sua morte.
Gostaria de expressar mais uma vez minha sincera gratidão ao Sr. Oura, agora no céu, e rezar por seu descanso em paz.
Associação de Cooperação dos Residentes no Japão
Kazuhiro Yagita